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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Safari Urbano em Juiz de Fora

A Prefeitura de Juiz de Fora e a SETTRA (Secretaria de Transporte e Trânsito) em parceria com a Embarq Brasil promovem o "SAFARI URBANO"
http://www.pjf.mg.gov.br/noticias/view.php?modo=link2&idnoticia2=46836

Significado de Safari: (s.m.) Na África, expedição de caça de animais ferozes e de grande porte.

O que querem dizer ao nomear uma visita técnica sobre mobilidade urbana de "Safari Urbano"?

_Que nós, Pedestres, Pessoas com Mobilidade Reduzida e Ciclistas, somos "caçados" nas ruas da cidade pelos veículos motorizados?

_Que a cidade é tão perigosa para os cidadãos quanto a Savana é para os animais que vivem nela?

Um Safari é uma "caçada" desigual e covarde onde seres indefesos, que naturalmente habitam aquele local, são cruelmente perseguidos para serem mortos por puro prazer.

Se a intenção da Embarq Brasil era fazer referência a essa crueldade diária sofrida nas ruas... Parabéns, ela conseguiu.

domingo, 14 de julho de 2013

Juiz de Fora "pedala" contra o tempo

por Renato Salles


Cidade corre contra o tempo

Apesar de já ter iniciado estudos, PJF trabalha com data-limite estabelecida pela lei federal; sem projetos, municípios perderão recursos


Bruno Siqueira, prefeito de JF
Bruno Siqueira, prefeito de Juiz de Fora.

Juiz de Fora tem até janeiro de 2015 para planejar e executar um plano municipal de mobilidade urbana, como prevê legislação federal em vigor desde o ano passado, sob pena de ficar impedida de receber recursos orçamentários federais direcionados ao setor. A chamada "Lei de Mobilidade Urbana" determina como devem ser as ruas, a fluidez do trânsito, além da interação entre os transportes público e privado. Olhando à distância, o prazo de um ano e meio parece dilatado. Parece, mas não é. Ao menos na visão de José Ricardo Daibert, engenheiro especialista em mobilidade urbana. "Este é o prazo legal. O prazo ideal é o mais breve possível. Aquelas cidades que realizarem seus planos, terão definido nortes como 'o que fazer' e 'em quanto tempo fazer'. Com os projetos resultantes do plano, os municípios estarão em condições de pleitear os escassos e desejados recursos destinados ao setor pelos agentes financiadores".
Na opinião do consultor, quanto mais adiada for a conclusão do plano, mais dificuldades a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) terá para captar recursos que poderiam ser investidos em novas empreitadas e projetos já existentes. "Sem o plano de mobilidade urbana, não há o que requerer. Recurso sem a devida alocação não tem alcance." Assim, no entendimento de Daibert, o município está perdendo tempo enquanto não tira os estudos do papel. Mais do que isso, a falta de planejamento provoca situações contingenciais, como o desencontro entre as políticas das gestões passadas e a da atual, o que ficou claro com a decisão da Secretaria de Transporte e Trânsito (Settra) de retirar 14 lombadas, conhecidas como "traffic calming".
A remoção dos obstáculos, que começaram a ser utilizados na cidade a partir de 2007 e se multiplicaram na administração de Custódio Mattos (PSDB), entre 2009 e 2012, foi iniciada esta semana. As intervenções vão custar R$ 90 mil aos cofres municipais, quase R$ 6.500 por cada unidade. Segundo a PJF, para evitar desperdício de recurso público, o material retirado será reaproveitado em outros locais da cidade para a recomposição de pisos. Os gastos com a nova aplicação estão inseridos no montante destinado à retirada.

Rodrigo Tortoriello, titular da Settra
Rodrigo Tortoriello, titular da SETTRA

Apesar do anseio por celeridade observado no discurso do especialista, a PJF projeta a plena formatação e execução do plano para o limite estabelecido pela legislação. "O plano de mobilidade urbana já está em estudo. O documento prevê ações de curto, médio e longo prazos e trará facilidades na atração de verbas federais para o município, uma vez que os projetos serão bem estruturados. O termo de referência para contratação de uma consultoria que definirá o plano já está em andamento. A estimativa é que, até 2015, o plano seja finalizado e apresentado", afirma Rodrigo Tortoriello, titular da Settra.


A retirada de traffic calmings custará R$ 90 mil aos cofres públicos


Coletivo é prioridade
Para o superintendente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Luiz Carlos Mantovani Néspoli, os projetos que precisam ser elaborados pelos municípios com mais de 20 mil pessoas devem priorizar o transporte coletivo, em detrimento do individual, priorizado no modelo vigente. O novo raciocínio seria capaz de atender até mesmo a uma das principais bandeiras das manifestações populares que tomaram o país: a redução das tarifas do transporte público. "Cidades de médio porte já contemplam congestionamento nos horários de pico. Segundo estudos da ANTP, o aumento da velocidade média dos ônibus acarreta redução de custos operacionais e, em consequência, redução da tarifa", explica.
Para o especialista, o prazo concedido pela legislação, que, segundo as perspectivas da Settra, deve ser respeitado em Juiz de Fora, é suficiente para a elaboração de um projeto que atenda às necessidades atuais dos munícipes. "Mas, é bom frisar, há muita coisa que pode ser feita de imediato, ou em curto prazo, até mesmo antes de se ter um plano de mobilidade. Por exemplo, dar prioridade ao transporte coletivo na via, o que pode ser perfeitamente feito com faixas exclusivas de ônibus. Também, o tratamento das calçadas públicas e a travessia dos pedestres com mais segurança."
A urgência das questões relacionadas à mobilidade urbana ficou evidenciada após as manifestações que levaram milhões de pessoas às ruas em centenas de cidades brasileiras. Os protestos ligaram a luz amarela, de alerta, nos poderes executivos de todas as esferas, enquanto, nas ruas, o trânsito e a qualidade do sistema público de transporte coletivo seguem atravancados, independente de sinal verde e amarelo. A situação emergencial oriunda dos gritos de indignação popular levou a presidente Dilma Rousseff a agir de forma contingencial, com o anúncio da destinação de R$ 50 bilhões para investimentos em obras do setor. A ação provocou reação imediata de governadores e prefeitos, que correram à Brasília com pires na mão, a fim de garantir um naco do bolo.
Na última terça-feira, o vice-governador de Minas, Alberto Pinto Coelho, e o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), bateram às portas da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e do ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro. O pedido: R$ 7,3 bilhões. O Estado pleiteia R$ 4,4 bilhões para a construção de nova linha subterrânea, o projeto "Transporte sobre trilhos metropolitanos (Trem)" e a extensão do BRTs (corredor para coletivos articulados). Por outro lado, Lacerda estende a mão por R$ 2,9 bilhões para obras de melhoria no metrô, nos trens, no BRTs e a construção de corredores exclusivos.
Em Juiz de Fora, o prefeito Bruno Siqueira (PMDB) garante esforços para atrair parte dos investimentos federais e não descarta a possibilidade de consumar a construção do anel ferroviário. "Os recursos anunciados são importantes e, caso se confirmem, podem ajudar a financiar outros projetos. Há muito discutimos sobre a necessidade de se implantar um anel ferroviário que tire os trilhos da área urbana da cidade. Os recursos federais são o único caminho para viabilizar uma ação desse porte, que leva anos." O chefe do Executivo defende que a busca por parcerias com o Estado e a União tem sido uma constante. "Não temos medido esforços para viabilizar recursos. Neste sentido, procuramos garantir a retomada das obras de transposição da linha férrea. Em pouco mais de seis meses, conseguimos a metade dos recursos necessários, cerca de R$ 40 milhões. Mas sabemos que as pontes, os viadutos e os mergulhões não resolverão o trânsito da cidade. Precisamos investir no transporte coletivo de qualidade e com preço justo. Vamos fazer a licitação das empresas, algo que deveria ter sido feito há anos no município." 

Falhas são reconhecidas pela PJF

As demandas relacionadas à mobilidade urbana em Juiz de Fora são reconhecidas pela própria Administração municipal. Na última quarta-feira, o secretário de Transporte e Trânsito, Rodrigo Tortoriello, admitiu que o sistema de transporte coletivo urbano é deficitário, reconhecendo a necessidade de se aprofundar diálogos para melhorar a prestação do serviço. A declaração aconteceu durante audiência pública realizada na Câmara, onde lideranças sindicais, de movimentos sociais e das mobilizações que chegaram a levar 15 mil pessoas às ruas da cidade cobraram a redução imediata da tarifa de ônibus e denunciaram falhas no transporte oferecido pelas concessionárias.
A necessidade de rever o sistema de transporte urbano é reconhecida pelo prefeito Bruno Siqueira (PMDB), que montou uma comissão especial para tentar agilizar o processo de licitação do serviço. A equipe atua em duas frentes, acompanhando o processo licitatório iniciado na gestão passada, pelo ex-prefeito Custódio Mattos (PSDB), parado no Tribunal de Contas do Estado (TCE) por conta de recursos apresentados pelo deputado estadual Durval Ângelo (PT), e na busca por alternativas caso o edital anterior não possa ser retomado.
Entre os vários problemas visíveis, na edição do último domingo, a Tribuna mostrou que a passagem dos trens paralisa, diariamente, vários pontos de Juiz de Fora por aproximadamente duas horas, causando, além de retenções no trânsito, incômodos para motorista e pedestres. "A solução é o anel ferroviário, pois retiraria os trens de dentro da cidade, já que Juiz de Fora não é destino das composições", afirma Daibert. Um projeto para minimizar o problema, além das intervenções viárias já em andamento, também poderia integrar o plano municipal de mobilidade urbana.

A retirada de traffic calmings custará R$ 90 mil aos cofres públicos

Em 2014
Alheios à elaboração do plano, outros pontos que podem contribuir para a melhora da mobilidade urbana estão sendo trabalhados pela PJF, como a adoção do bilhete único no transporte coletivo e a finalização do plano cicloviário, previstas para o ano que vem. "O bilhete único está em fase de estudos e deverá ser implantado no início do próximo ano. O equipamento prevê que o usuário utilize dois ônibus pagando menos que duas tarifas. Já o plano cicloviário também já se encontra em estudos e será apresentado em breve, prevendo ciclovia em diversas regiões da cidade", explica o secretário de Transporte e Trânsito.
fonte: tribunademinas

sábado, 22 de dezembro de 2012

Plano Diretor Cicloviário Integrado é aprovado em JF: "Novas ruas terão que contemplar ciclovias"

 

Novas ruas de JF terão que contemplar ciclovias

 

Tribuna convidou casal para pedalar nas ruas do Centro e mostrar as principais dificuldades dos ciclistas

Por Guilherme Arêas

 

Bicicletas, cadeira de rodas e carros dividem espaço

 
Os projetos de abertura de novas ruas ou de expansão das vias já existentes em Juiz de Fora deverão incluir a implantação do sistema cicloviário, com a construção de ciclovias, ciclofaixas, bicicletários e pontos de apoio aos ciclistas.
 
Essa é uma das propostas do Plano Diretor Cicloviário Integrado, cujo veto dado pelo Executivo foi derrubado pela Câmara Municipal na última quarta-feira. Antes das intervenções, porém, será preciso saber se a via tem potencial para ser utilizada por ciclistas, observando-se as condições de relevo, pavimento e tráfego. A regra passa a valer 90 dias após a promulgação da lei pela Mesa Diretora da Casa.
O plano, de autoria do vereador Flávio Cheker (PT), ainda define as diretrizes para a instalação de todos os equipamentos e infraestrutura necessários para o uso da bicicleta como modal de transporte. Enquanto as ações concretas não são colocadas em prática, os ciclistas continuam travando uma disputa desigual com os veículos nas ruas.
 
 
Para mostrar essas dificuldades, a Tribuna convidou o protético Guilherme Mendes, 37 anos, que pedala desde os 4 anos de idade, e a namorada dele, a gerente administrativa Francini Lisandra, 36, que adotou a bicicleta no dia a dia há pouco mais de dois anos, para circularem pelas ruas (ver vídeo).
 
A reportagem filmou todo o percurso, que durou 25 minutos, enquanto os ciclistas narravam as maiores dificuldades enfrentadas. No principal corredor de tráfego de Juiz de Fora, a Avenida Rio Branco, eles tiveram como maior entrave o desnível dos bueiros, que força os ciclistas a circularem mais perto dos carros. Também chamou atenção no trajeto a briga por espaço na Avenida Getúlio Vargas.
 
O trânsito tranquilo do meio da manhã não escondeu os perigos enfrentados pelo casal, que recebeu fechadas, teve que desviar de bueiros e viu carros desrespeitarem a distância lateral de 1,5 metro estabelecida pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB). "Onde foi reasfaltado ficou uma vala entre a sarjeta e a rua. Isso acumula sujeira, água e acaba forçando o ciclista a andar mais para o meio da rua. Isso é ruim, pois acabamos disputando mais espaço com o carro", relata Guilherme. "A insegurança no trânsito é o que impede as pessoas de saírem de casa de bicicleta", resume Francini.
 
 
Acidentes
 
Como não há fiscalização para os ciclistas, nem regulamentação para as bicicletas, o desrespeito ao CTB é frequente. Mas a própria Polícia Militar percebe que o maior abuso acontece por parte dos motoristas de veículos. "O código diz que o ciclista tem preferência sobre os carros, mas não é o que vemos no dia a dia", constata o comandante do Pelotão de Trânsito da PM (PPTran), tenente Jean Michel Amaral. "A chance de termos ciclistas como vítimas fatais no trânsito da cidade é grande." Nos dez primeiros meses deste ano, foram oficialmente registrados pela PM 164 acidentes envolvendo bicicletas, contra 158 no mesmo período do ano passado, sem registro de mortes. "É um índice alto, tendo em vista que a cidade ainda não tem um número de ciclistas tão grande."
 
Se o número de usuários ainda é baixo, não seria por falta de demanda, segundo uma pesquisa recente feita pela UFJF. Após entrevistar 400 ciclistas para uma dissertação de mestrado, o gestor ambiental Ugo Castañon concluiu que a falta de infraestrutura é o principal ponto de impedimento para a circulação de mais bicicletas em Juiz de Fora. Ao contrário do que se pensava, a topografia irregular não seria tão desestimulante.
 

União quer incentivar uso de modal

 
No documento que explica as razões do veto ao Plano Diretor Cicloviário, o prefeito Custódio Mattos reconheceu os benefícios do modal, mas considerou a proposta "inconstitucional e contrária ao interesse público".
 
"Na área mais central da cidade, já consolidada, são poucas as condições favoráveis à criação de ciclovias e ciclofaixas", diz o documento da PJF, que foi derrubado na Câmara Municipal na última semana.
O vereador Flávio Cheker rebateu: "O projeto não determina alterações imediatas no sistema viário. Ele traça diretrizes para que as novas vias e conjuntos viários a serem implantados levem em conta o modal cicloviário. A implementação das ciclovias e ciclofaixas no restante da cidade fica à cargo da própria Prefeitura, a partir de seu próprio planejamento."
 
A topografia irregular, a exiguidade de espaço viário e a atual falta de segurança aos ciclistas são outros argumentos de Executivo contrários ao plano apresentado. O prefeito defendeu que "a ideia de tornar independente o sistema cicloviário é equivocada" e sugeriu que o tema seja abordado de maneira mais ampla, dentro de um Plano de Mobilidade Urbana.
 
Para Cheker, o plano que entrará em vigor será justamente um dos capítulos desse planejamento maior. "Enquanto não se faz esse plano macro, vamos investir no modal bicicleta. Mas o que vale na cidade hoje é o tradicional e retrógrado pensamento da Settra de que não há espaço e que falta segurança para a bicicleta. Ou seja, dão como justificativa o problema." O vereador critica o fato de as obras estruturais feitas recentemente nas avenidas Presidente Costa e Silva e Rio Branco não terem contemplado espaço aos ciclistas.
 
Sobre a cobrança de uma ciclovia na Avenida Brasil, o secretário de Transporte e Trânsito, Márcio Bastos, diz que não vê mecanismos seguros de incluir a bicicleta no Centro. "As pessoas fariam a viagem com segurança até um certo ponto, mas, depois, não teriam esta segurança para chegar ao final de seu destino."
 
O projeto aprovado pela Câmara Municipal ainda determina que, na construção de todo e qualquer empreendimento público ou privado que gere tráfego de pessoas e veículos, será obrigatória a destinação de local reservado para o estacionamento de bicicletas.
O plano também proíbe a cobrança de tarifa para o uso de bicicletários. "Essa questão não é algo de abnegados, românticos ou de meia dúzia de pessoas que acham que a bicicleta é um meio de transporte bom. Isso é política de governo. O Governo federal, por meio do Ministério das Cidades, editou normas legais, algumas em caráter compulsório, pelas quais os municípios que não passarem a adotar o modal bicicleta deixam inclusive de receber recursos", defende o vereador.
 
 
Propostas
 
Por enquanto, existe projeto de ciclovia para a Zona Norte e de ciclofaixa para a Cidade Alta. A diferença é que a primeira é um espaço especialmente criado para a circulação de bicicletas, em sentido único ou duplo. Já as ciclofaixas são espaços que podem ser delimitados até mesmo no passeio ou na via, constituindo uma alternativa às ciclovias.
 
O projeto da Zona Norte encontra-se em análise pela Caixa Econômica Federal e pelo Ministério das Cidades. Ele refere-se à implantação de ciclovia e ações de urbanismo, como canteiro central, pontos de ônibus e meio-fio, em cerca de 8,5 quilômetros da Avenida JK, entre Nova Era e Santa Cruz, havendo ainda um ramal de ligação até o Francisco Bernardino. A estimativa é de que custe R$ 4,7 milhões, sendo R$ 700 mil de contrapartida do município.
 
Já a proposta da Cidade Alta é a de implantação de uma ciclofaixa, para incentivar o ciclismo como esporte e lazer, na Avenida Pedro Henrique Krambeck, entre a Rua Roberto Stiegert e a entrada dos bairros Bosque do Imperador e Spinaville. O espaço funcionaria nas faixas internas da via, contornando o canteiro central, com cerca de três quilômetros de extensão. A Settra informou que está trabalhando no projeto de implantação da ciclofaixa, que deverá ser feita com recursos próprios.
 
No plano de governo apresentado durante a campanha do prefeito eleito Bruno Siqueira (PMDB), há a proposta de "rever o programa 'Andar pela cidade', que prevê a normatização das calçadas e vias de pedestres, incorporando soluções de acessibilidade e implantação de ciclovias em vias estratégicas".
 

Conviver de forma harmônica

 
"Uma boa cidade não é aquela em que até os pobres andam de carro, mas aquela em que até os ricos usam transporte público." A frase atribuída ao ex-prefeito de Bogotá, na Colômbia, Enrique Peñalosa, vem sendo empunhada como uma bandeira pelos que defendem a redução da quantidade de carros nas ruas. Peñalosa promoveu uma verdadeira revolução no país vizinho, após implantar mais de 300 quilômetros de ciclovias na capital e adotar um sistema de ônibus rápidos, como o de Curitiba (PR).
 
"A rua é de todo mundo. Eu preciso usar a bicicleta para ir ao trabalho. Às vezes, preciso ir de carro. Todo mundo tem que se deslocar. O melhor para todos é aprender a conviver de forma harmônica", propõe o protético Guilherme Mendes. "Infelizmente, não temos um espaço só pra gente. Então, temos que andar juntos; todos somos meios de transporte. O que acaba regendo todos os veículos são os seres humanos", completa a fotógrafa Rizza, 25, que tem na bicicleta o principal meio de deslocamento.
 
Para o vereador Flávio Cheker, não adianta apenas criar ciclovias; é preciso que elas estejam integradas com o sistema público de transporte, criando, de fato, meios para tornar a bicicleta um meio efetivo de deslocamento. "Na ciclovia da Zona Norte, por exemplo, o ciclista vai sair de Benfica e chegar ao Distrito Industrial. O que ele faz com a bicicleta depois?"
 
 
Menos carros
 
A democratização da malha viária e o consequente aumento do espaço dado às bicicletas estão diretamente ligados à retirada de carros parados nas ruas, constata o engenheiro especialista em mobilidade urbana José Ricardo Daibert. "A via pública é um bem raro e caro demais para deixarmos veículos parados nela. Se começarmos a criar políticas de estacionamento de carros fora da via - seja por meio de estacionamentos públicos, privados, subterrâneos ou edifícios-garagem - aí sim vão começar a surgir espaços para ciclovias ou para aumentar as calçadas, por exemplo."
 
O especialista critica a desatualização de uma pesquisa de origem e destino ampla em Juiz de Fora. "Qualquer cidade brasileira tem possibilidade de potencializar o uso e o deslocamento por ciclovia, mas isso não deve ser feito de forma pontual, sob risco de não fazermos um planejamento correto e acabarmos perdendo a eficiência de um meio de transporte que pode ser muito adequado."
 
Daibert reconhece que falta no Brasil uma cultura para a bicicleta e defende que, em Juiz de Fora, a topografia desfavorável não é motivo suficiente para desestimular o uso do modal. As bicicletas elétricas e os espaços destinados às bikes dentro dos ônibus, por exemplo, são apontados por ele como alternativas.

sábado, 22 de setembro de 2012

1° DESAFIO INTERMODAL DE JUIZ DE FORA




Tradicional em outras cidades brasileiras, Juiz de Fora teve nesta sexta-feira (21) o seu 1° Desafio Intermodal. O evento consiste em uma corrida entre diferentes meios de transporte com o objetivo de determinar o mais eficiente no trânsito. O caráter competitivo está apenas na modalidade, já que a intenção dos integrantes do grupo Mobilicidade JF é incentivar e praticar medidas em prol da mobilidade urbana. O grupo deu a largada às 19h do Terminal Rodoviário Miguel Mansur, no Bairro São Dimas, na Zona Norte, com destino ao Parque Halfeld, no Centro, pontos distantes cerca de 3,5 quilômetros.
Com 14min10s, a bicicleta elétrica, guiada pelo empresário Thiago Godoy, 30 anos, chegou em primeiro nas escadarias da Câmara Municipal, onde um dos organizadores da ação, Guilherme Mendes, marcava os tempos. Aos 15min05s, a administradora Francine Lisandra, 36, chegou com a bicicleta comum. "Vi muita falta de respeito dos motoristas e avanços de sinal na região central", reclamou Francine. "De um modo geral, foi positivo", classificou Mendes. Agora, os participante vão analisar a emissão de CO² de cada veículo e os gastos financeiros.
Em terceiro lugar, chegou a assessora de comunicação Maria Elisa Duarte, 31, que seguia em uma motocicleta (18min40s). O próximo participante a chegar, em quarto, foi o skatista Arthur Cota, 25, (24min18s). Já o publicitário Antônio Moreira, 29, realizou o trajeto de carro em 27min55s, ficando na quinta posição. Por último, a professora de educação física Jéssica Cláudio da Silva, 33, que fez o percurso a pé em 47min13s. Os organizadores também quiseram testar o percurso de ônibus. No entanto, ele não foi realizado de forma simultânea. O trajeto foi feito pelo motorista Rodrigo Gregório, 31, em 58min06s.

fonte: tribuna de minas