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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Safari Urbano em Juiz de Fora

A Prefeitura de Juiz de Fora e a SETTRA (Secretaria de Transporte e Trânsito) em parceria com a Embarq Brasil promovem o "SAFARI URBANO"
http://www.pjf.mg.gov.br/noticias/view.php?modo=link2&idnoticia2=46836

Significado de Safari: (s.m.) Na África, expedição de caça de animais ferozes e de grande porte.

O que querem dizer ao nomear uma visita técnica sobre mobilidade urbana de "Safari Urbano"?

_Que nós, Pedestres, Pessoas com Mobilidade Reduzida e Ciclistas, somos "caçados" nas ruas da cidade pelos veículos motorizados?

_Que a cidade é tão perigosa para os cidadãos quanto a Savana é para os animais que vivem nela?

Um Safari é uma "caçada" desigual e covarde onde seres indefesos, que naturalmente habitam aquele local, são cruelmente perseguidos para serem mortos por puro prazer.

Se a intenção da Embarq Brasil era fazer referência a essa crueldade diária sofrida nas ruas... Parabéns, ela conseguiu.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Participe da Bicicletada - pedalar é, também, um ato de cidadania.



Há dois anos a ong MobiliCidade JF realiza em Juiz de Fora, toda última sexta-feira do mês, a Bicicletada.
A Bicicletada, ou Critical Mass como também é conhecida, é um encontro de ciclistas, gratuito, aberto a todos, onde o principal objetivo é pedalar pela cidade. Buscamos mostrar que é possível o convívio pacífico no trânsito.
Pedalar melhora a saúde, não polui, é divertido e durante o exercício temos a oportunidade de fazer novos amigos, encontrar outros, pedalar com a família, conhecer melhor nossa cidade.
Ao longo do passeio distribuímos panfletos educativos com artigos do Código de Trânsito Brasileiro, CTB, abordando os direitos e deveres de motoristas, ciclistas e pedestres.
Em janeiro nosso encontro será dia 31, a concentração começa às 19 horas na praça Jarbas de Lery, em São Mateus. Nosso trajeto passa por ruas do centro e bairros adjacentes, seguimos devagar, evitando os morros e sempre respeitando as leis. Lembramos que menores devem estar acompanhados pelos pais ou adulto responsável.
Venha participar.
Pedalar é, também, um ato de cidadania.

domingo, 18 de agosto de 2013

Passeio noturno reúne 7 mil ciclistas

São Paulo reune 7 mil ciclistas em passeio noturno


foto: Mauro Gomes

Começa mais uma noite de sábado em São Paulo, a cidade que não dorme. E em clima de festa, recebe 7 mil amantes do pedal para um passeio ciclístico noturno, embaixo de muita luz, agito e alto astral. Trata-se do Night Riders, que transformou o centro da cidade em um verdadeiro mar de bicicletas.
Com o passar das pedaladas, o show de bikes estava só começando. Ciclistas em grupo de amigos e família se juntaram àqueles que estavam sozinhos. E nem mesmo o frio e a garoa fina foi capaz de tirar a energia dos participantes. “Fomos chamadas por duas amigas e resolvemos participar da Night Riders por pura vontade de se divertir”, afirma Maria Cristina, uma das mais animadas.
“Eu costumo participar de provas de corrida de rua, mas está é a primeira ciclística. Por esta razão, reuni minhas amigas e meu marido para aproveitarmos o que há de melhor na cidade. Afinal, não é sempre que podemos pedalar no centro da cidade à luz da noite”, ressalta.
Enquanto isso, Luis Antonio Bascos estava super animado e afirma esperar por outras provas: “Vim para curtir o clima conhecer gente nova e aproveitar o que a vida tem de melhor”, comenta o coordenador de obras que lamenta não poder pedalar no dia a dia.
“Eu gostaria de ir até o trabalho pedalando, mas como moro em outra cidade e trabalho em São Paulo, fica um pouco complicado. Assim, chamei meus amigos para me animar, festejar e, é claro, pedalar”, ressalta Luis.
Para Sérgio Simões, projetista de obras, a paixão pelo ciclismo já é antiga. “Eu costumo pedalar sempre, principalmente pela ciclovia do Rio Pinheiros. Hoje estava aqui por curiosidade, para saber um pouco mais como é unir festa com pedal”, afirma Sérgio.
“Como no dia a dia eu pedalo sozinho, resolvi trazer meu filho para curtir esta festa linda comigo. É um prazer imenso ter pedalado com ele, ainda mais pelo fato de ser um passeio por entre os pontos históricos e turísticos de São Paulo. É realmente maravilhoso ter passado por aqui esta noite”, finaliza empolgado.
O 1º Night Riders saiu do Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo e passou por diversos pontos turísticos da cidade como a Catedral da Sé, o Pátio do Colégio, o Edifício Banespa, Theatro Municipal, a equina da Ipiranga com a Avenida São João e o Minhocão, em um total de 10 km de percurso.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Sobre preconceitos e ciclistas

Resposta à coluna de Sueli Arantes, de 03/08/2013, Diário da Manhã

O Brasil é hoje o quinto maior mercado consumidor de bicicletas no mundo, sendo 50% desta frota destinado a transporte (Abracico, 2007). Goiânia, por exemplo, já foi a capital nacional de uso de bicicletas, em função de sua topografia perfeita para a prática. De acordo com a divisão modal da CMTC (2006-2007), as bicicletas ainda representam cerca de 6% das viagens na cidade. O que ocorre é que o ciclista é, hoje, invisível: não estamos acostumados a percebê-los e eles estão confinados nos miolos dos bairros.
Hoje, o trânsito é, de fato, violento contra o ciclista e, consequentemente, este é o maior fator que impede as pessoas de usar bicicletas. Por isso, uma infraestrutura cicloviária deverá reduzir riscos e a agressividade, dando abertura para muitos novos usuários. Desta forma, a cidade se torna mais democrática, e aberta para que cidadãos adotem novas práticas de sustentabilidade.
Além disso, entende-se que um bom projeto de infraestrutura cicloviária deve prever paraciclos e percursos sombreados. Além disso, é fundamental que os destinos (empresas, escolas, instituições e terminais intermodais) possuam vestiários e bicicletários para dar apoio ao usuário. Por exemplo, no caso da UFG, já existe um vestiário destinado aos alunos, outro em construção e a previsão de construção de mais um. Ou seja, as soluções sustentáveis não são sempre as mais fáceis, mas, devem ser as que preferimos.
É preciso ter a percepção de que a cidade não é pensada apenas para a classe média ou ascendente. Muitos trabalhadores, como os da construção civil, estão acostumados a trocar de roupa ao chegar ao trabalho, tomar banho no final do dia e voltar para casa.
É sempre bom reforçar os benefícios do uso da bicicleta:
Benefício para o meio ambiente (redução de poluição, pouco ruído, menos consumo de combustíveis fósseis, etc), benefícios para o usuário (mais saúde, bem estar físico e mental, preço acessível, baixo custo de manutenção) benefícios para a cidade (menor necessidade de espaço público, infraestrutura barata, adequação da paisagem a escala humana, e não das máquinas, como grandes viadutos e vias expressas responsáveis por inúmeros acidentes em perímetros urbanos).
No Brasil pelo fato do automóvel ser símbolo de prosperidade e diferenciação social, a utilização da bicicleta como modo de transporte acaba sendo depreciada. Para muitos indivíduos esta utilização é considerada constrangedora, utilizando-a apenas para recreação.

por: Camilo Amaral, professor de Arquitetura da UFG / Luiza Antunes, professora de Arquitetura da UFG /  Fernando Chapadeiro, professor de Arquitetura da UEG / Ana Flávia Marú, graduanda em Arquitetura na UFG / Compõem o grupo de pesquisa e extensão Inove Mob.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Poder Público "pedala atrás do prejuízo" após cobrança da população


Crescimento espantoso do uso da bicicleta no Chile obriga governo a construir ciclovias


Mulheres já são responsáveis por mais de 30% dos deslocamentos em Santiago. E nem o frio da capital chilena desanima quem escolhe a bicicleta para se deslocar. Foto: Claudio Olivares Medina, via Flickr
Nos últimos seis anos, Santiago ganhou um milhão de novos ciclistas. Incentivos governamentais? Infraestrutura adequada? Sinalização das vias? ”O que mudou foi a percepção social da sociedade em relação a bicicleta”, antes vista como “coisa de quem não deu certo na vida”.
Quem afirma é Amarilis Horta Tricallotis, diretora do Centro de Bicicultura, organização cidadã que promove a cultura da bicicleta em Santiago. Leia no Ir e Vir de Bike.


Nas ciclovias, nas ruas: em Santiago, as bicicletas estão por toda parte. Foto: Claudio Olivares Medina, via Flickr

Aumento exponencial

Em uma população estimada em 7 milhões, essa quantidade de novos ciclistas representa um número surpreendente. Alguns dos fatores que causaram esse crescimento foram o aumento das tarifas de transporte público e os congestionamentos, que causaram grande aumento no tempo de viagem. Nenhuma novidade para nós.
Outro fator que fez os chilenos optarem por esse meio de deslocamento foi a preocupação com o meio ambiente. Em São Paulo, o veneno no ar continua sutil e, apesar de hospitalizar crianças e idosos, ainda é quase imperceptível para quem acredita que a culpa é do ar seco ou que basta fechar as janelas; em Santiago, as características geográficas agravam o problema e fazem com que os alertas ambientais sejam comuns.
Durante esses alertas, a circulação de automóveis se torna ainda mais restrita (nesse 19 de julho, 40% dos carros sem catalisador – 4 dígitos finais das placas – estão proibidos de circular o dia todo). Barreiras como essa ao uso do automóvel fazem os cidadãos buscarem outras maneiras de se locomover, ajudando a diminuir poluição, congestionamentos e acidentes de trânsito (e é por isso que há tanta gente por aqui defendendo a implementação do pedágio urbano).


A contagem foi realizada em duas das ciclovias mais utilizadas da cidade. Foto: AyT/Divulgação


Levantamento e saturação

A consultoria Urbanismo y Territorio (UyT), em ação conjunta com a organização Cuidad Viva, realizou contagens de ciclistas em alguns pontos da cidade, com equipamento automatizado. Enquanto o fluxo de bicicletas no final de semana se manteve praticamente estável, o crescimento de seu uso nos dias úteis cresceu de forma espantosa.
A página da UyT com os resultados da pesquisa afirma que, tomando como base determinado ponto em uma das principais ciclovias da cidade, verificou-se uma taxa de crescimento anual do fluxo de bicicletas de 18,2%, no período entre 2005 e 2012. Ou seja, em pouco mais de 5 anos a demanda duplicou. A empresa afirma ainda ser urgente revisar o desenho das ciclovias, pois estão chegando ao limite de sua capacidade.


Reação do governo

O Governo chileno afirma que não teve tempo de reagir, pois o crescimento foi repentino. Alega que há planos de ciclovias para médio prazo e que, agora, são necessários  ”planos de segurança, normas e programas de educação”. Mas cicloativistas e urbanistas desconfiam e denunciam que o investimento ainda é insuficiente, se comparado ao aumento de usuários de bicicleta.
O poder público afirma haver hoje 550km de ciclovias em Santiago – infraestrutura questionada por organizações de ciclistas, já que muitas delas não cumprem padrões de segurança, não se conectam entre si e, em muitos casos, são voltadas apenas ao lazer. É como quando, aqui em São Paulo, contam as ciclovias dentro de parques como parte da infraestrutura cicloviária da cidade (e, ainda assim, não chegamos a um terço do que há em Santiago).
Agora, o poder público local vai ter que pedalar atrás do prejuízo, já que mais de um sétimo da população estará insatisfeita dentro de um ano, quando as ciclovias estiverem saturadas. E boa parte dessas pessoas vota.

Algumas fotos utilizadas aqui são de Claudio Olivares,

do ótimo blog chileno Ciclismo Urbano. Vale a visita.


por William Cruz
fonte: vá de bike

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Diga NÃO à Sociedade dos Ciclistas Espremidos!


Pelo fim da sociedade dos ciclistas espremidinhos


espremido
Se pudéssemos agora, por um instantâneo, observar simultaneamente cada um dos ciclistas que está trafegando nas ruas das nossas cidades, uma característica comum saltaria aos olhos: a maioria deles está trafegando pela beiradinha da via pública que foi projetada, construída e sinalizada para a circulação de veículos motorizados.
Mesmo sem o saber, eles estão respeitando o Artigo 58 do Código de Trânsito Brasileiro – CTB: “a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores”.
Com efeito, trafegar pela direita, à mão, é mais seguro para o ciclista e melhor para o fluxo de todos os veículos. Ao circular no meio ou à esquerda da pista, o ciclista está mais vulnerável à alta velocidade dos motorizados que vêm atrás e, o que é pior, à colisão frontal com motorizados que, vindo da direção contrária, estão realizando ultrapassagem.
Entretanto, esta regra geral não pode ser aplicada a todas as situações vivenciadas pelos ciclistas, fazendo com que circular nas bordas seja não apenas um erro “tático” em determinadas circunstâncias, mas, principalmente, uma demonstração de menosprezo dos legisladores para com a dignidade dos ciclistas. Circular pelo limiar é algo que não pode ser feito com constância, nem em todos os lugares. E são inúmeras as ocasiões em que os ciclistas têm que desviar para a esquerda, arriscando-se a serem abatidos pelos carros que vêm lhe comprimindo.
A situações mais comuns são: pedras, lascas de asfalto, lixo, cacos de vidro e toda sorte de entulhos que são lançados ou vão parar na pista e acabam depositando-se na sua extremidade; bueiros abertos, bocas de lobo quebradas, abaixo do nível da pista ou com fendas excessivamente largas; buracos, poças d´água, sarjeta e canaletas pluviais irregulares e superdimensionadas; tachões e tachas reflexivas (olhos de gato), que às vezes persistem até em ciclofaixas mal instaladas; carros saindo de garagens e pedestres atravessando a pista; e as óbvias ultrapassagens entre os ciclistas. Por último, mas não menos importante, temos a linha de abertura das portas de carros; os motoristas, porque geralmente estão “procurando” apenas outros carros, incautamente abrem suas portas e “colhem” os ciclistas ou forçam o desvio súbito de sua rota; por isto os ciclistas experientes recomendam, sempre que possível, pedalar a pelo menos 1 metro de distância dos carros estacionados.
Além disso, o ciclista também faz conversões e quebra esquinas. Em vias de alta velocidade (já que o poder público se omite de instalar ali a necessária ciclovia e suas devidas faixas de travessia), é necessário que o ciclista pare, no lado direito, para atravessar quando não houver carros; mas, nas vias locais de baixa velocidade, é preciso oferecer ao ciclista a possibilidade dele, sempre sinalizando, ocupar o centro da pista de rolamento e seu bordo esquerdo até que se apresente a oportunidade dele convergir para a rua do seu interesse. Se é assim que fazem desde caminhões até motocicletas, porque assim não podem proceder as bicicletas? E, para não proceder deste modo, muitos ciclistas optam erroneamente por trafegar na contramão quando planejam convergir adiante.
Por todo lado, quase que submissamente, os ciclistas resignam-se com a condição de “marginais” à qual foram lançados; e, na falta de cobertura legal, lançam mão de um jeitinho qualquer e acabam pagando com sua pela omissão alheia.
Para mudar esta situação, é necessário fazer valer na prática, através de fiscalização contínua e de programas educativos permanentes, a observância dos 1,5 metros na ultrapassagem de ciclistas em todas as vias públicas onde não há vias exclusivas para bicicletas.
Mas só isso não basta, evidentemente. É preciso eliminar as armadilhas que a prefeitura implantou ou mantém nas bordas das pistas para tornar mais constante e linear o pedalar; é preciso baixar a velocidade regulamentar na maioria da vias públicas para diminuir o risco de abalroamento de ciclistas, quando estes necessitam desviar de algo; e, finalmente, é preciso instalar vias segregadas para bicicletas onde se justifica o escoamento mais veloz dos motorizados.
Apenas escrever um artigo de Lei instruindo, genericamente, o ciclista a circular pela borda direita. é uma forma do legislador se livrar do que considera um problema, o que é muitíssimo cômodo para o negligente administrador público e serve de desculpa para os motoristas imprudentes. Para que as bicicletas possam cumprir sua função (tanto para o ser humano que lhe faz uso quanto para a sociedade que disso se beneficia), é preciso superar a sociedades dos ciclistas espremidinhos e suplantar a sociedade dos motoristas soberbos, implantando uma autêntica sociedade… dos cidadãos!
Texto: André Geraldo Soares

Artigo originalmente publicado na Revista Bicicleta – Ano 2, nº 24 – Dez/2012 – Pag. 52.
fonte: www.acbc.com.br

sábado, 20 de abril de 2013

Os ciclistas são invisíveis?



Bicicletas penduradas na Estação Julio Prestes questionam invisibilidade


Quem chegar na Estacão Julio Prestes, no centro de São Paulo, vai se surpreender com cerca de 60 bicicletas suspensas por cabos de aços. Elas fazem parte da nova intervenção “Bicicletas”, montada pelo artista plástico Eduardo Srur e, apesar de mudarem o visual do local,  praticamente ficam invisíveis na grandiosa estação.
Ao ser questionado sobre a forma que as bicicletas são vistas (ou não), Srur provoca: “As bicicletas não são para serem vistas de uma maneira prática e simples, como gostaríamos. As bicicletas propõem uma coisa maior que é justamente a invisibilidade  que a gente tem em relação ao mundo.” E completa: ”essas  bicicletas instaladas na arquitetura propõem uma faísca, uma possibilidade  de reflexão em relação ao espaço em que você está, ao espaco em que você vive e se desloca o tempo inteiro. Se você notar, a maioria das pessoas está anestesiada, não percebe essa intervenção, essa é a primeira provocação”.
“A segunda leitura que eu faço deste trabalho”, continua Srur, “é como você imagina a bicicleta:  não como um objeto de lazer mascomo de fato ela deveria ser na cidade de São Paulo:  um objeto de deslocamento, de transporte, de resultado em relação a mobilidade urbana, então você tem mais de 50 bicicletas, penduradas na estação, que no fundo são invisíveis. Essa é a proposta que trago, um pouco mais densa e mais crítica do que num primeiro momento as pessoas vão ter.”
Preparação de uma das bicicletas utilizadas na instalação. A maioria foi emprestada pela Caloi, sendo 24 delas peças de museu. Foto: Rachel Schein
Preparação de uma das bicicletas utilizadas na instalação. A maioria foi emprestada pela Caloi, sendo 24 delas peças de museu. Foto: Rachel Schein

Apoio da CPTM

A exposição foi montada durante a noite, no período que há a desenergização da estação. A princípio ela havia sido pensada para a Estação da Luz mas, segundo Fabio Alvim, do marketing da CPTM, por alguns problemas técnicos não foi viável. Alvim, que acompanhou a montagem, conta que a CPTM está sempre apoiando as iniciativas de integração da bicicleta ao trem.  “Hoje em dia a gente tem toda uma uma atenção especial a esse modal de transporte.  Temos a ciclovia no Rio Pinheiros, que é bastante utilizada, temos bicicletários em todas as estações novas”, explica.
De fato, em dezembro do ano passado André Pasqualini, o Bicicreteiro, conseguiu um espaço grande na Estação Pinheiros para reformar bicicletas doadas e entregá-las à creche da ilha do Bororé, no caminho para a descida ao litoral – a rota Márcia Prado, circuito conhecido pelos ciclistas paulistanos. O projeto “Bicicletas de Natal” teve o total apoio da CPTM e foi divulgada aqui no Vá de Bike, no final do ano passado. Veja aqui o resultado.
Montagem da instalação da Estação Julio Prestes. Foto: Rachel Schein
Montagem da instalação da Estação Julio Prestes. Foto: Rachel Schein

Cataventos da obra de Srur, em terreno frente à estação, parte dos "sonhos". Foto: Rachel Schein
Cataventos da obra de Srur, em terreno frente à estação, parte dos “sonhos”. Foto: Rachel Schein

Bicicletas fazem parte de uma obra mais ampla

Intitulada “Sonhos e Pesadelo”, a obra completa conta com mais duas intervenções. Ainda fazendo parte dos “sonhos”, e montada num terreno em frente a estação, grandes cataventos de garrafas PET foram instalados. Segundo o artista “mais se parecem com os moinhos quixotescos e a relação que o cavaleiro tem em relação a o mundo”, referindo a estória de dom Quixote, que se alimentava das próprias ilusões. “Você coloca esses moinhos gigantes num local de difícil penetração, num lugar que está extremamente carregado de forma negativa e você traz esse contraponto visual com escultura leves que propõem uma visão lúdica e onírica”.
Os cataventos e as bicicletas ficarão expostas na região da Cracolândia. “Essa é uma obra completa conceitualmente, porque ela traz vida, traz um lado lúdico pro centro num lugar complicado, um lugar que precisa de vida, e essa obra traz isso num momento em que a bicicleta tá em pauta, tá sendo discutida em todos os lugares do mundo”, opina Nathalia Abbud, produtora da exposição.
O "pesadelo" de Eduardo Srur. No detalhe, os ratos antes de serem aplicados à torre. À direita, o artista ao lado da obra. Fotos: Rachel Schein
O “pesadelo” de Eduardo Srur. No detalhe, os ratos antes de serem aplicados à torre. À direita, o artista ao lado da obra. Fotos: Rachel Schein
“A ciclofaixa passa aqui do lado, também é possível transportar a bicicleta nas estações de metrô e de trem aos domingos, então dá pra fazer passeios de bicicleta para conhecer as obras”, convida a produtora.
O objetivo da exposição, Segundo Srur,  é mostrar a cidade como uma plataforma onde ela faz o seu melhor sonho ao seu pior pesadelo se tornar realidade. Da mesma forma que as bicicletas tem essa invisibilidade , a obra que está no Anhangabau, mesmo que seja mais explícita também propõe esse simbolismo de tudo aquilo que é invisível.
Permear entre o sonho e o pesadelo, entre o visível e o invisível remete também a realidade do ciclista urbano, que se desloca com prazer mas invisivel ao trânsito da cidade.

Curiosidades da montagem

Foto: Rachel Schein
Foto: Rachel Schein
Escaladores profissionais foram contratados para a montagem na estação. A maior dificuldade foi o espaço restrito, em função dos cabos de energia e de toda a estrutura da Estação, conta Cassio Pereira, escalador que participou da instalação das bicicletas.
Durante a montagem, não só a curiosidade mas os sonhos de funcionários foram despertados. Uma mulher comentou que sonha em aprender a andar de bicicleta, outra que precisa arrumar uma para o filho. Um funcionário que cuida da manutenção, Luiz Moraes, comentou que gostaria muito de poder se locomover na cidade de bicicleta, mas ainda tem medo: “eu só ando em parques, porque o motorista paulistano é muito estressado e ainda não está acostumado com a bicicleta. Acho que São Paulo ainda não entendeu que a bicicleta e fundamental até para os carros andarem”.
E a equipe era advertida o tempo todo pelos funcionários a não transitarem com as bicicletas pela Estação. É que a sala onde elas ficavam guardadas era lá no fundo, e nada mais prático do que levá-las para o local de instalação pedalando, né? :)

Provocações

Não é a primeira vez que Eduardo Srur trabalha questionando a mobilidade urbana. O artista é conhecido por suas intervenções urbanas ousadas, sempre provocando uma mudança do olhar do paulistano em relação à cidade.  ”Como disse Paulo Klee, o papel do artista é  tornar visível o que é invisível”, esclarece Srur.
Em 2008, seis bikes coloridas foram suspensas em cabos de aços, na Avenida Paulista, levando o olhar do paulistano a prestar atenção em algo que passava despercebido na cidade:
Bicicletas penduradas na Av. Paulista: invisibilidade questionada. Foto: Arquivo Eduardo Srur
Bicicletas penduradas na Av. Paulista: invisibilidade questionada. Foto: Arquivo Eduardo Srur
Bicicletas são parte da paisagem da Avenida Paulista. Instalação chamou atenção para sua presença, contínua e discreta. Foto: Arquivo Eduardo Srur
Bicicletas são parte da paisagem da Avenida Paulista. Instalação chamou atenção para sua presença, contínua e discreta. Foto: Arquivo Eduardo Srur
Foto: Rachel Schein
Foto: Rachel Schein
Na semana que antecedeu o dia mundial sem carro, em 2012, Srur instalou uma carruagem na Ponte Estaiada, na Marginal Pinheiros. Propôs também uma corrida entre a carruagem e um carro de alta potência, pilotado por Ingo Hoffmann. Ambos saíram da estação Granja Julieta,  o artista de carruagem pela ciclovia e piloto pela pista expressa da marginal: percorreram 2,7 km e chegaram empatados.
Para Srur, do ponto de vista artístico, a carruagem é a representação mais adequada para a mobilidade urbana em sao Paulo: a imobilidade.  Durante sua pesquisa ele descobriu que o carro, num congestionamento, se desloca em São Paulo a 20km/h, que ironicamente é a mesma velocidade de uma carruagem nos tempos do império.
“A carruagem tem um brasão lateral formado por dezenas de logomarcas de carros e montadoras de veículos, para mostrar que não importa o carro que você tenha, você está imerso no caos da mobilidade urbana de São Paulo”, justifica Srur. “E dentro dela você tem um personagem: um passageiro solitário, dentro de uma grande carruagem. isso representa o paulistano, solitário, isolado da cidade, dentro do seu carro”.
Sobre a escolha do local para a instalação da obra, contesta sobre a ponte estaiada representar um cartao postal: “Essa ponte é um símbolo da cidade, mas isso denuncia uma carência do paulistano por símbolos ou espaços na paisagem urbana que a gente se identifique. Então qualquer mudança na paisagem que é imposta, a gente aceita. A ponte Estaiada não resolve a urgência da mobilidade urbana, não permite que ciclistas andem nela, custou muito caro e está do lado do Rio Pinheiros – esse sim um ícone de descaso e abandono da nossa cidade. O rio Pinheiros é um dos rios mais poluídos do mundo”, afirma.
Em 2006, o Rio Pinheiros também foi palco de dezenas de caiaques coloridos, que promoveram um curto-circuito visual na cidade. Nas últimas semanas da exposição, os caiaques juntaram-se ao lixo que fica no rio, alterando a composição da obra, e mais uma vez tornando visível o que é invisível. Afinal, os rios não se integram à nossa cidade e  permanecem esquecidos, ali do nosso lado o tempo todo.  Sem contar os inúmeros rios que foram cobertos por concreto e asfalto, invisíveis em todos os aspectos.
Caiaques no Rio Pinheiros. Foto: Arquivo Eduardo Srur
Caiaques no Rio Pinheiros. Foto: Arquivo Eduardo Srur
Caiaques no Rio Pinheiros. Foto: Arquivo Eduardo Srur
Caiaques no Rio Pinheiros. Foto: Arquivo Eduardo Srur

Srur quer passeio ciclístico pelas obras

O artista promove um passeio de bicicleta pelas intervenções no domigo 21 de abril. Veja detalhes aqui no Vá de Bike.
As instalações permanecem na cidade até o dia 30 de maio. Pegue sua bike e passe pelos locais para dar uma olhada!
Sonhos: bicicletas na Estação Júlio Prestes e cataventos em frente à estação
Pesadelo: torre com ratos no Vale do Anhangabaú
Para conhecer melhor as obras de Eduardo Srur, visite seu Tumblr.
Veja também nossa galeria de fotos dessa exposição.

FONTE: VADEBIKE